domingo, 30 de dezembro de 2007

Encontros por aí a fora

Conhecer pessoas é para mim uma grande aventura comparada a uma viagem a um lugar surpreendente e que sempre há algo novo a ser descoberto. Adoro conversar e apesar de falar muito, escuto atentamente ao que me revelam. Conversar é trocar idéias, discutir, desconstruir e construir. Cada um tem sua história e sua bagagem, além disso, todos mudam, nossos amigos podem sempre nos surpreender com uma atitude inimaginável, e como todas as relações humanas, há sempre o inesperado.
Qualquer lugar é lugar e não há hora certa para puxar uma conversa fiada. Pode ser uma fila de banco, parada de ônibus, velório, mas o melhor mesmo é uma mesa de bar. A alegria da cerveja gelada e da música boa, melhor ainda se for um bom samba, bar de chão de cimento, cadeira plástica e que você chama o garçom pelo nome: Pereiraaaa!!!! Oh Pereira traz mais uma! Quando você se dá conta já está lá no maior papo ou sobre um jogo de futebol ou sobre a tal filosofia da vida. Sinto falta hoje de um bar, aquele que é praticamente a extensão da sua casa. Ah saudade boa do samba das quartas-feiras no Garrafus!
Nunca fui de fazer restrições nem muita cerimônia para conhecer gente, tanto que fui uma sócia fundadora da AFA (Associação dos Forçadores de Amizade). Não gosto desse exclusivismo de turma, aquele grupo fixo de amigos e que se torna uma verdadeira panela. Tenho amigos intelectuais, dondocas, burgueses, marxistas, conservadores, idealistas, evangélicos, espíritas, farristas, caseiros e por aí vai. Sei aproveitar o que cada diferença me proporciona. Por isso gosto de fazer festas para comemorar meu aniversário, é o único momento que tenho para reunir todos aqueles que fazem parte de minha vida e que são tão importantes para mim. A festa vira uma verdadeira salada, uma mistura de gente diferente.
Lembro que em minha adolescência, se mudou para a minha rua uma vizinha nova. Não tive dúvidas, bati em sua porta e me apresentei. Não podia imaginar que a partir dali iria iniciar a formação de meu gosto musical. Juliana me apresentou a bandas que nunca ouvira falar antes, e era engraçado como ela se surpreendia com a minha ignorância. Não satisfeita com meu desconhecimento, me mostrava cds, vídeo clipes, colocava as músicas mais famosas, me contava a história das bandas e dos cantores. Todas as tardes eu ia a sua casa e ouvíamos aos velhos sucessos para ela, e as novidades do dia para mim. O que conheço de música devo a ela, a sua paciência e persistência.
Há encontros, como esse, que me influenciam e causam, inevitavelmente, reflexões que desencadeiam um processo de mutação, que até eu mesmo me surpreendo. Sou aberta a mudanças, me permito mudar. Há pessoas que encontrei, passaram e nem imaginam a bagunça que causaram. Talvez se um dia nos reencontrarmos nem me reconheceriam, ou pelo menos teriam uma grande surpresa.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Apenas bobagens

Não acredito que estou de férias. Não lembro a última vez que estive completamente de férias. Como sempre estudei na UFPE passei por várias greves, o que deixava o calendário acadêmico uma bagunça! Nunca conseguia conciliar as férias da universidade com as do trabalho. Depois que me formei emendei um trabalho no outro e ainda comecei Letras, ou seja, nada de férias. Agora finalmente estou com quinze dias exclusivos para mim.
Estava em um ritmo muito acelerado, em parte porque sou assim: apressada. Não consigo fazer nada com calma, minha ansiedade não permite. Até essas férias eu já pensei, planejei, fiz lista de tudo o que quero fazer.
Ah lista! Adoro uma lista. Faço lista para tudo.
Já listei tudo que quero fazer nessa quinzena, está tudo planejadinho. Agora estou assim: ansiosa. Anseio cada dia de férias. Acho que vou colocar isso na lista de coisas a melhorar no próximo ano, ansiedade. Vai ser a número 1, top da lista. Mas será que me reconhecerei menos ansiosa? Acho que não. Bom, mas vou tentar.
Até que minha lista de planos para o próximo ano está bem pequena. Deve ser porque ainda não terminei a desse ano, ainda faltam o espanhol, que esqueci completamente, e a danada da monografia da pós. Mas como já aderi a astrologia, meu ano começou no dia do meu aniversário, então ainda tenho 6 meses pela frente.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Acho que não vou celebrar o ano novo agora dia 31 de dezembro, vou aderir a umas teorias astrológicas em que o ano novo se inicia no dia do aniversário. Não sinto que o meu ano está terminando, tenho a sensação de que estou exatamente no meio. Só comecei a pensar nesse ano a partir de maio, um mês antes de seu inicio em meu aniversário, 22 de junho. Fiz algumas reflexões, uns planos aqui, outros sonhos ali, e enfim, ainda estou a caminho para conclusões.

sábado, 10 de novembro de 2007

Desprendida

Quanto tempo se leva para desprender-se? Não sei o tempo certo, nem se existe um tempo determinado. Sei apenas que os meus desprendimentos são longos, dolorosos e transformadores.
Tem uma cena do filme Antes do Pôr do Sol, em que a personagem desabafa, em uma das cenas mais lindas que já vi , que se acha louca porque não consegue esquecer as pessoas com quem se relacionou. Ela não entende como outros terminam um relacionamento e simplesmente esquecem, e aí começam outra relação como se tivessem apenas trocado de marca de cereal.
Se isso realmente for indício de loucura, então sou completamente louca. Não consigo simplesmente esquecer ou substituir alguém como um produto porque pessoas são insubstituíveis em seus específicos detalhes. Não há como recuperar o que se foi, nem o que se perdeu.
Por isso o desprendimento para mim não é nada fácil, é um dos momentos mais dificeis . Desprender-se é libertar-se de um amor, da dor, de mágoas, de um bem, de um vício, de um cheiro, de um sabor, de um riso, de detalhes, de culpas, de cobranças, de lembranças. Mas também é um processo de vasculhar, de descobrir a essência dos sentimentos, sofrimentos e desejos. Amadureço e me renovo a cada ciclo que se fecha. Sinto - me livre ao dirigir pela manhã, ver o mar, sentir o calor do sol, ligar o rádio, cantar e rir. Sinto a leveza da paz egoísta de pensar apenas em mim.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Namoro morno

Uma amiga se queixava sobre a falta de paixão em seu namoro. Segundo ela, o namoro que começou a pouco meses está morno porque seu namorado não demonstra o quanto gosta dela e isso a impede de se entregar pois não sente-se segura quanto ao relacionamento. Mas ela acredita que o com o tempo o relacionamento esquente.
Estranhei ela dizer isso pois sou muito amiga do casal e convivo sempre com os dois e até mesmo um estranho que passe uns 30 minutos perto dos dois pode perceber o amor que ele sente por ela. Todos notam a maneira como ele a olha, a elogia, preocupa-se com seu bem estar, sempre faz um carinho, ri quando ela faz algo engraçado, a apóia e a admira. Todos podem perceber o quanto aquele homem está apaixonado, menos ela.
Ela me mostrou um cartão que ele a entregou. Quando li, perguntei o que mais ela queria para ter certeza dos sentimentos dele. Ele os escreveu e entregou para você, estão aí nessas palavras e você não consegue sentir? Não tive dúvidas, disse logo: você não está apaixonada.
Ele pode fazer as maiores loucuras de amor, as declarações mais vexatórias e bregas e ainda assim você não vai sentir. Não sentirá a paixão nos olhos dele, o coração bater forte nem o frio no estômago.
Quando estamos apaixonados tudo nos comove e reconhecemos provas de amor em qualquer situação. Procuramos sinais no outro que confirmem o nosso sentimento, e quando não encontramos chegamos até a criá-los. Daí a frase: o amor é cego. Muitas vezes, no alto nível da paixão, enxergamos apenas aquilo que mantem o nosso sentimento vivo e para isso chegamos até a distorcer fatos e inventar mentiras para nós mesmos.
Se passamos a racionalizar demais o que sentimos na tentativa de distinguir se é ou não paixão é porque a paixão, em nós, não existe. Ninguém duvida da sua presença, há os que não querem aceitá-la, mas não adianta, a paixão é teimosa, não depende de nossa vontade, é involuntária. Ou sente-se ou não.
A paixão antecede ao relacionamento, ela não vem com o tempo, ela é o motor da relação, é o que impulsiona. Namoro tem que começar quente, ferver, depois pode até ficar morno e esfriar até gelar, mas jamais, nunca, começar morno.
Desconfio desses namoros que começam assim, mornos e sem paixão. Para mim, há apenas duas alternativas para esse tipo de relação: ou acaba-se logo ou se prolonga na inércia por mais um tempo até que ... se acabe.
A paixão não garante tempo de duração a relação alguma, mas garante essência. Relacionamento sem paixão é vazio, não tem cor, não tem emoção.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Cada um sem o seu rolex...

A vioência urbana é notícia todos os dias no nosso país, os números dos assaltos e assassinatos estão ao acesso de todos em vários sites, jornais, programas de TV. Mas quando um famoso é vítima da violência é como se tivesse acontecido a coisa mais absurda e chocante. Como um bandido se atreve a assaltar um famoso? O fato mais recente foi o roubo do rolex de Luciano Huck e a sua carta de protesto a Folha de São Paulo. Prato cheio para a nossa mídia. Uns enaltecem o desabafo do Luciano Huck e apoiam a sua indignação ao pagar todos seus impostos altíssimos e ter que viver em um país sem segurança pública, outros criticaram e ridicualrizaram o apresentador e toda a classe social a que ele representa.
O valor do rolex roubado parece que é uns 45.000 reais. Uauuuuuuuuu Deixa ver o que poderia comprar com esse valor.... Uns 2 carros populares, dava também para comprar uma casa, para alimentar uma família por mais de 1 ano. Dava para muita coisa, mas para o Luciano era apenas um relógio. Ok, não vou entrar aqui no papo preconceituoso de coisa de elite branca e tal. Não é esse o propósito quando decidi escrever esse post. Mas é que fiquei pensando que cada um perde o seu rolex. Eu já fui assaltada 5 vezes. Isso mesmo, foram 5 assaltos e mais uma tentativa, no total 6 vezes em contato com a violência. O saldo perdido: três celulares + uns trocados + 3 bolsas + alguns objetos = R$ 1000,00. Eu acho que esse foi o valor que tive roubado. Uma merreca comparado ao relógio do Luciano, mas como disse cada um perde o "rolex" que tem. Agora vamos aos cálculos do que os jovens que nos assaltaram (eita, tenho algo em comum com Luciano Huck. Poxa!!!) a mim e ao Luciano já perderam, sim porque eles também já foram e ainda são roubados: educação + saúde + alimentação + moradia + brinquedos na infância + emprego + presença dos pais + auto-estima = a possibilidade de uma vida fora da violência. É cada um tem o seu "rolex" roubado. Claro que a desigualdade e a miséria em que esses jovens estão inseridos não justificam a opção deles pela criminalidade, mas compreende-se.

Blindness - Ensaio Sobre a Cegueira

Acabei de descobrir que Ensaio Sobre a Cegueira, de Saramago, virou filme. Assim que li a notícia pensei logo: mais uma porcaria vem por aí. Um tom implicante meu, confesso. Mas tenho bom motivo. As adaptações para o cinema de livros que já li e adorei foram umas porcarias e me fizeram sair um tantinho decepcionada do cinema. A magia que há ao ler é justamente a idéia surgida daquelas palavras ali. Cada frase, cada parágrafo, é um mundo que construimos cheio de fantasias, ilusões, reflexões, sensações. Dificilmente a construção de qualquer diretor será igual a minha. Daí a frustração ao deixar a sala de cinema. Detestei ver o dramalhão feito em Olga, parecia mais que estava assistindo a uma novela das 8 da Globo. Procurei a fortaleza e a frieza da militante comunista e não encontrei. Esse é só um exemplo.
Porém tive que estender minha mão a palmatória. Entrei no blog do diretor do filme, Fernado Meirelles, e simplesmente uma ansiedade e uma curiosidade em assistir ao filme tomaram conta de mim. Primeiro porque Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel (não cheguei a ler o livro) estão na minha lista de filmes favoritos, gosto muito da linguagem que o Meirelles dá aos seus filmes. Em segundo porque vi a preocupação e o cuidado dele em passar para as telas as infinitas reflexões que o livro nos proporciona. As filmagens começaram em julho, acho que o filme deve sair só no próximo ano. Quem já leu o livro, entra no blog http://blogdeblindness.blogspot.com/ para saber de mais detalhes sobre o filme. Quem ainda não leu, por favor se apresse.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Jornada de Trabalho


Depois de ter passado 10 dias em Serra Talhada, Pernambuco, cheguei a Quixeramobim, Ceará. O meu trabalho, em parceria com outra assistente social, é o de mobilização e organização de comunidades para o uso de barragens subterrâneas.
A jornada é cansativa: o sol forte, o vento quente, a péssima estrada cheia de buracos que destrói minha coluna, a repetição do cardápio: galinha caipira, feijão de corda e farofa de cuscuz. No inicio é bem apetitoso, mas depois de três dias não agüento ouvir nem um co-co-ri-có se quer, mas o pior é ter que ver galinha por todos os cantos e pensar: “amanhã você será meu almoço”. Apesar desses incômodos, o trabalho é maravilhoso. Conversar com essas pessoas, ouvir suas histórias, ver o sorriso de alegria ao nos ver bater a porta, ser recebida com o famoso “entre pra dentro, se achegue e sente!”, perceber a diferença na vida da comunidade após a água da tal “loninha”, como eles chamam a barragem. Levar informação e ver o brilho nos olhos de quem acaba de descobrir o novo.
O pôr do sol indica mais um fim de trabalho. Durante o caminho de volta, olho para aquelas casas pequenas, perdidas no meio do sertão. Uma vez, Seu Afonso, morador de São José de Caiçarinha, em Serra Talhada, me disse que só precisa de saúde porque de resto já tem tudo. A principio minha arrogância julgou: que falta de perspectiva, de oportunidade, isso é querer tão pouco. Mas hoje, que tolice pensei! Que prepotência julgar esse homem. Naquele momento, Seu Afonso tinha tudo porque se sentia satisfeito com a sua vida. Procura-se tanto a tal felicidade, quem pode dizer que aquele homem não é feliz? Quem pode dizer como ele que só precisa de saúde porque de resto já tem tudo? Tudo. Tudo? Que tudo é esse que se almeja?
Seu Afonso é casado com Dona Zélia, eles têm 10 filhos e moram em uma casa de dois cômodos, cozinham em fogão a lenha, possuem apenas três bancos para sentarem, e precisam carregar baldes de água todos os dias, pois não há água encanada em casa. Vivem da aposentadoria da mãe de Dona Zélia e do Bolsa Família. Seu Afonso tem tudo na vida.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Dormir e Sonhar


Hoje a alegria entrou sem bater a porta e sem pedir licença. Invadiu minha alma, aumentou ainda mais meu sorriso (se possível), expulsou a angústia e deixou a tranquilidade. Permito-me dormir e sonhar pois nenhum tombo irá me despertar, apenas o sol a invadir meu quarto e anunciar o novo dia. É o dia, é a hora, é a minha vez de trazer meus anseios para o real.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Ela e Ele

Ela amou.
Amou muito e sofreu a não correspondência desse amor.
Tentou.
Tentou uma, duas, três vezes.
Seu destino era a solidão de um amor sem volta.
Ele desconhecia o amor.
Não sabia o que era amar, muito menos o que era ser amado.
Seguia seu caminho solitário.
Desistiram do amor, e essa desistência os uniu.
Se olharam.
Ela acreditou. Ele resistiu.
Ela se jogou. Ele confiou e a seguiu.
Se amaram.
Caminharam juntos por ruas diferentes.
Acreditaram no impossível e na certeza que surgia como uma poesia.
Poesia que era música, Beatriz.
Atravessaram fronteiras em busca do lar.
Movidos pela unica razão que tinham: nascemos para nos amar.


Para Dani, Bebeto e Beatriz.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Before sunset

:::::::::Celine said:
...And, how can you say that?
Because... I mean, I always feel like a freak because I'm never able to move on like......this!
You know.People just have an affaire, or even... entire relationships... They break up and they forget!
They move on like they would have changed a brand of Cereals!
I feel I was never able to forget anyone I've been with, because each person have... you know, specific qualities!
You can never replace anyone. What is lost is lost.
Each relationship, when it ends, really damages me. I haven't fully recovered. That's why I'm very careful with getting involved, because... It hurts too much!
Even getting laid! I actually don't do that...I will miss of the person the most mundane things. Like I'm obsessed with little things.
Maybe I'm crazy, but...When I was a little girl, my mom told me that I was always late to school. One day she followed me to see why... I was looking at chestnuts falling from the trees, rolling on the sidewalk, or... ants, crossing the road... the way a leaf casts a shadow on a tree trunk... Little things.
I think it's the same with people.
I see in them little details, so specific to each other, that move me, and that I miss, and... will always miss.
You can never replace anyone, because everyone is made of such beautiful specific details. Like I remember the way... your beard has a little bit of red in it. And how the sun was making it glow that... that morning, right before you left.I remember that, and... I missed it!
I'm really crazy, right?

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Tempo Banal




Vaga
Devagar
Para divagar
A vida.

Liberta a alma
Das amarras
Impostas pelo
Ritmo das horas.

Não há pressa
Em apressar
O ritmo marcado
Pelo toque
Do seu pulso.



segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Transfigurar-se

O escuro conselheiro ilumina a alma
Que tem a cor da rosa mais viva sem perfume.
Espinhos fazem o vermelho líquido escorrer,
A água salgada regar a pele.
Não seca porque é vida.
Não se extingue porque é mutável.

Registros

Desde criança tenho o hábito de escrever diários. Sempre em meus aniversários ganhava de presente um novinho em folha e aposentava o da idade que se passava. Nesses meus caderninhos de páginas coloridas e enfeitadas eu ia depositando a alegria em ter ganho um presente que tanto desejava, a raiva de minha mãe que me deixou de castigo e as inumeras brigas com as amigas do colégio. Depois percebi que eram meus desabafos, era o espaço que eu tinha para externar o que me pertubava, o que me aparecia de novo e o que me alegrava. Escrever alivia a alma. Esses meus diários pesam toneladas de emoçoes, de lágrimas e risos. Hoje eles são um mapa que me levam a entender quem sou.
Relendo-os percebo que os medos daquela menina ainda estão aqui, só que com novas representações. É preciso acender as luzes do quarto e destruir os monstros de seus pesadelos para que a menina adormeça e caia em seu sono profundo.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Cansei?????


A elite paulistana está organizando um movimento para ir as ruas protestar contra o governo. Alguém um dia imaginou isso no nosso país? Eu, nunca. O Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, Cansei, organizado pela OAB e tem como garotas propagandas Ana Maria Braga, Hebe Camargo, Regina Duarte e a baiana Ivete Sangalo vai realizar essa façanha. O movimento planeja uma paralisação para o dia 17 de agosto, em São Paulo e em Porto Alegre, em protesto ao acidente da TAM, a crise aérea e as corrupções do governo.

É no mínimo tudo muito engraçado. Acho que essas senhoras devem ter esticado tanto a cutis em plásticas e botox que realmente devem estar usando o velho óleo de peroba. Me pergunto do que elas e a classe representada por elas estão cansadas? A Hebe Camargo nunca cansou dos jantares e festas da sua alta sociedade paulistana na companhia do seu querido amigo Paulo Maluf, aquele procurado pela interpol em não sei quantos países. Ana Maria Braga deve estar muito cansada de suas compras na Daslu e de pescar no seu big big iate e ir a sua fazenda de jatinho. Ela deve sentir muito os problemas da crise aérea. Já a Regina Duarte, releva-se. Ela sofre de um sofrimento psiquico de fobia, a lulafobia. Ela já declarou publicamente o seu medo a Lula. Agora a baiana.... Realmente ela deve está cansada de cantar nas micaretas e no carnaval excludente da Bahia. Essas mulheres estão bastante cansadas. Nem se compara com as vidas de milhares de brasileiras de dupla e tripla jornada de trabalho. Mulheres que acordam as cinco da manhã, levam seus filhos a escola, pegam ônibus, vão ao trabalho para sustentarem seus lares e quando chegam em casa ainda cuidam dos afazeres domésticos. Essas brasileiras podem dizer CANSEI!!! Cansei dessa desigualdade absurda do país em que vivemos.

Tudo bem, estamos em um país democrático e todos têm o direito de protestar e de expor suas idéias. Mas prefiro ainda as idéias expostas por Marilena Chaui sobre a crise aérea e a manipulação da mídia no acidente da TAM.

Leiam:

Para os que se interessaram pelo movimento cansei: http://www.cansei.com.br/

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Papel e lápis, por favor.

Como Cazuza um dia disse: "o nosso amor a gente inventa". Então vamos inventá-lo agora. Pegue o bloquinho de papel, a caneta e deixe a criatividade mandar.
Por que temos que sentir o amor inventado pelos outros? Então alguém inventou que o amor é algo mágico, que nos eleva, nos faz delirar, difícil de sentir, não é apenas gostar, é algo bem maior, mais forte. Ah! E foi criado para ser eterno, não se acaba nunca. Se acabou, não era amor.
Um dia um amigo disse que não acreditava no amor porque não encontrava uma definição para ele. Quando descreviam o amor era sempre um conjunto de outros sentimentos. Tipo uma receita: Mistura no liquidificador amizade, respeito, carinho, muito afeto, tesão e aí deixa bater até ficar uma massa homogênea.
Pelo que já li, há uma fronteira a ser atravessada entre o gostar e o amar. Você começa no gostar, aí anda, anda, anda até chegar no limite territorial, cruza e chega ao amor. Entretanto esse limite é bem variável. Há vestígios de que alguns só se olharam a primeira vez e já sentiram o amor. Mas também há aqueles que sempre andaram mas nunca cruzaram a fronteira e só o conhecem porque leram as impressões escritas de quem já chegou lá.
Então o que é e o que não é amor?
Quem pode dizer se era ou não uma história de amor?
Segundo as aulas de teoria da literatura, toda obra precisa ter a intencionalidade. Qual a intenção do autor? A que a obra se propõe a ser?
Então comecemos a escrever a nossa história agora. Vamos inventar o nosso prazer, a nossa felicidade, a nossa amizade, o nosso amor.
Vamos ser os autores-personagens do nosso romance e viver aquilo a que nos propomos sentir.

sábado, 4 de agosto de 2007

No papel do ridículo

Há umas duas semanas, fui ao cinema assistir cão sem dono. Estava super ansiosa para assistir ao filme pois já tinha ouvido falar muito sobre ele mas, para minha decepção, o filme não atingiu nem metade das minhas expectativas. Não é um filme ruim, apenas não me emocionou. É sobre o sofrimento de um homem após separar-se da mulher que ama, ele chega ao fundo do poço e perde completamente o eixo sobre sua vida. O filme, tão elogiado pela critica e pelo público no cine PE, que realmente não entendi porque não gostei. Deixei pra lá.
Ontem fui ao teatro, a peça também era sobre o sofrimento causado pelo amor. Havia umas cenas dramáticas das dores horrorosas que os personagens sentiam. Enquanto todos da platéia assistiam atentamente as cenas e se emocionavam com o drama ali exposto, eu caía numa crise de riso. Ria sem parar, tentava conter o riso, mas era inútil. Achei aquilo tudo tão patético, aquelas pessoas sofrendo daquela forma, que parecia mais uma comédia do que um drama. Aí finalmente entendi porque não gostei de cão sem dono. Foi pelo mesmo motivo que ri na peça.
Tanto no filme quanto no espetáculo, o sofrimento após o término de uma relação é tão forte que chega a ser ridículo. Os personagens protagonizam as cenas mais patéticas que já vi. Viram-se no chão, se contorcem, gritam, falam absurdos do tipo que não vão conseguir levar mais a vida. De tão dramático torna-se engraçado. Percebo então que o amor nos torna um bando de ridículos!
Há aqueles que devem me achar uma pedra insensível por eu pensar dessa forma, mas não consigo perceber emoção nessas cenas humilhantes e degradantes. Quem quiser que ache isso bonito e chame de amor. Isso pra mim é patetice e caso de loucura. Essas estórias em que a donzela ou o príncipe sofreram tanto com a ausência do outro que morreram de amor são os maiores casos de falta de amor próprio. Ninguém pode ser tão importante na vida do outro a ponto da sua ausência lhe tirar a razão ou a alegria de viver. Quem pensa assim, por favor trate de procurar uma terapia porque você deve ter sérios problemas de auto-estima.
A dor da separação é uma das piores coisas que sofremos, concordo plenamente. Aquela dor no peito, o choro preso, uma frustração, saudade. Aff! É horrível. Porém não vamos tornar esse momento pior do que já é ao transformá-lo em uma novela mexicana, porque pode parecer não ter fim, mas tem e tudo passa. Aí depois que a emoção do tal amor passar, quem é que vai achar agradável perceber que foi uma Maria do Bairro ou um Luis Fernando de La Vega?

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Vamos fugir....

Médicos em greve. Professores em greve. 346 homicídios em julho. Ai socorrooooo!!!!
Vamos fugir daqui? Mas como? Não dá nem pra pegar o primeiro avião.

domingo, 29 de julho de 2007


Um dia algém me disse que adorava cinema porque os filmes preenchiam seus vazios.


Meu verbo preferido sempre foi o ter. Trocava apenas os complementos. Foram tantos sujeitos, adjetivos, substantivos, advérbios na procura do melhor resultado, mas não adiantavam. Tinha sempre a impressão de que faltava algo nos textos, alguma palavra fora do lugar ou em exagero. Havia um erro, não sabia qual. Decidi ir a sua busca. Reli todos os textos escritos, desde aqueles de menina nas aulas de redação do colégio até os mais recentes. Li todos como um leitor exigente. Foi um trabalho árduo, cansativo e até doloroso, mas valeu a pena.
O erro estava no núcleo do predicado verbal, na essência, no próprio verbo. Os textos antigos não podem ser refeitos, admito hoje que não eram tão ruins quanto pensava, mas já foram escritos e publicados. Concentro-me para os próximos, esses terão o verbo certo: sentir.