terça-feira, 5 de agosto de 2008

De mãos dadas para a travessia

Ainda restavam 30 minutos para a chegada do vôo Brasília – Recife. Olhava para o relógio, o peito batia forte à medida que os minutos passavam. Conferia a tela de chegada dos vôos: estava lá confirmado, sem atrasos. Ao meu redor dezenas de pessoas também a espera por amigos, parentes, amores. Eu não sabia exatamente por quem esperava. Havia a expectativa por um amor, por um amigo, por um desconhecido ou até pelo meu príncipe encantado. Há dois anos repeti essa cena, estava eu lá no mesmo horário, esperando por alguém que havia visto apenas uma vez, mas que voltava para ficar comigo, para me conhecer, para viver cenas de um romance. Dessa vez, sabia a importância desse reencontro. Dois anos de espera, tantas fantasias criadas e em poucos minutos elas se tornariam reais ou seriam todas destruídas. É a continuação de um filme. Nem sempre continuações atendem nossas expectativas, isso porque dificilmente conseguem manter o charme ou o encantamento do seu antecessor. Eu vivi o meu: dois estranhos, de nacionalidades diferentes, se olham, se encantam, se apaixonam, passam uma semana juntos e depois não se vêem mais. Perfeito. Roteiro comum batido nas telas dos cinemas americanos, mas para mim era vida real. Foi o suficiente para criar um imaginário no qual eu tinha o ideal de amor. Tomei o lugar de Julie Delpy e me transformei na Celine.
O portão se abriu, e lá estava ele. Olhava para os lados, me procurava entre todas aquelas pessoas ali, umas já se abraçando, outras ainda em pé a espera pelos seus. Não me via, fiz sinal com a mão. Ainda não me viu. O chamei: Alberto.
Fomos almoçar. Não tinha fome, estava anestesiada, acho que encantada. Ele falava sem parar. Contava de sua viagem a Minas Gerais, de seus planos para os próximos meses e de como iríamos nos divertir nessas duas semanas juntos. Fernando de Noronha, Rio Grande do Norte, Caruaru, dançar forró, Oficina de Brennand. Tantas coisas. Eu lá parada. Escutava, olhava, via seu sorriso. Tentava não transparecer todas as emoções que sentia. Ele percebia, perguntava porque eu parecia distante. Por momentos eu não estava ali. Era observadora, e não sujeita da ação.
Os dias foram passando e nos surpreendíamos com nossas diferenças. Como mudamos. Não reconhecia mais aquele olhar romântico com o qual ele observava o seu redor. Deixei-me levar pela impaciência que trazia a irritação também. Eu me defendia, reprimia meus olhares, meus toques. Ele sentia. Éramos dois defensivos, e de tão defensivos nos atacávamos. Não sabíamos lidar com essa passagem. Achava que a dificuldade era apenas minha, mas ele também tinha. Quando nos permitíamos olhar um para o outro víamos algo maior que brilhava, riamos e nos desarmávamos. Éramos um homem e mulher que além da atração, da vontade de estarem juntos, tínhamos uma cumplicidade verdadeira, um carinho forte, algo que precisava ser preservado. Meu melhor amigo é o meu amor. A frase simples da musica mais simples ainda.
Sentia a dor do choro, o aperto no peito ao me despedir das minhas fantasias e ter que aceitar o que a realidade me trazia. Via meu príncipe ir embora em seu cavalo branco, de tão distante que ia não reconhecia mais seu rosto. Ao meu lado estava um homem, um companheiro, um amigo. Tínhamos dois caminhos. Escolhemos a amizade. Estamos abertos a paixões a vida inteira, que podem durar meses ou apenas uma semana. Vivemos a nossa.
Agora temos a leveza da amizade, a tranqüilidade de um vinculo forte e permanente apesar da distância.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Lugar Algum, dia passado do ano acabado.

Olá,com vai?
Estranha minha carta? Minha procura? Sei que não me conheces.Sei também que estais bem. Imagino teu rosto tranqüilo, teu sorriso leve e teus olhos brilhantes. Ai que pena! Que pena eu sinto. Queria que estivesse aos prantos, que tudo estivesse negro, mais negro que qualquer noite sem lua ou estrelas. Como eu desejo teu sofrimento, tuas lágrimas e tua angustia. Teu sofrimento seria meu consolo, tua tristeza minha paz.
Se quiser saber mesmo, não estou bem. Não estou porque você está. Desejaria o contrario. Mas não há como mudar o real. Ai saudade! Saudade do que vivi e do que não vivi. Saudade das minhas ilusões perdidas em ti. Queria tanto o impossível, o errado, o mais simples, queria você. Prometo fazer diferente. Você promete me amar?
Eu já te amo. Te aceito e te quero. Sinto meu peito diminuir e se contorcer provocando uma dor maior, uma dor que me leva ao além. Além do que penso que sou. Ah, mas o que sou? Sei o que procuro. Procuro um amor maior, um ideal, um sonho, algo que jamais terei. Queria te sentir ao menos uma vez, pela primeira vez

O Fantástico Mundo de Bob

Era um desenho animado que contava a história de um garotinho, Bob, e suas mirabolantes fantasias. Ele era um especialista em usar a sua imaginação. Imaginava o incrível sobre coisas banais para qualquer adulto. Como a vida trata de seguir e se encarrega de trazer o real em confronto com as nossas fantasias, Bob sempre ficava confuso e um tanto decepcionado com a realidade. Oh coisa chata esse tal mundo real! Como Bob, sou tão feliz nos filmes sobre minha vida que vejo sempre quando fecho os olhos. São intensos, mas previsíveis. A mocinha sempre se dá bem no final.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Após choro e reclamações:




amigos, surpresa, alegria, carinho, bolo, chapeuzinho, Pátio de São Pedro, forró e cachaça.

domingo, 22 de junho de 2008

Feliz Aniversário

Tem gente que não gosta de fazer aniversário, prefere até que ninguem saiba e esconde a data. Eu adoro aniversário e principalmente celebrar a data. É o marco em que um ciclo se fecha e outro se inicia. Lembro-me dos preparativos de minhas festas quando criança. Minha mãe na cozinha preparando os doces e salgados. Eu ajudava como podia: enrolava os brigadeiros e raspava as sobras da panela com a colher de pau.
Esse ano está diferente. Não tenho vontade de festa. Não encontro a alegria. O que é até uma contradição já que a data é bem no meio das festas juninas. Mas não é minha festa. Tem música, tem gente, tem bebida e dança, mas ainda assim a festa não é minha, e pior, não é para mim. Os convidados são estranhos, a casa de porta aberta não é meu lar. Não sou anfitriã de ninguém. Sinto o frio da cidade apesar de estar agasalhada, a cachaça desce queimando diferente, e o arrasta pé tá sem ritmo. Não tem bolo, nem vela.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Fase nova

Faz uns três meses que estou morando sozinha. Ainda estou em processo de adaptação. Às vezes paro, olho o apartamento quase vazio, são poucos os móveis que tenho, e me pergunto o que fazer. A sensação é que posso tudo, a liberdade dá uma onipotência, mas também me deixa perdida.
Da rotina de cuidar de casa o que não me agrada é ir ao supermercado. Primeiro porque não sou lá muito organizada e sempre esqueço o que precisava comprar. Fico andando, passeando pelas seções e aí conforme vejo os produtos vou decidindo se levo ou não. Mas o pior mesmo é subir as escadas do prédio com as sacolas e depois arrumar as compras no armário.
Apesar da falta de talento, gosto de me entreter com as panelas e temperos. Minha especialidade é macarrão com qualquer coisa. O arroz, não encontro o ponto: se deixo a água secar, ele fica duro; se coloco mais água o danado fica todo grudado! Feijão, ainda não me arrisquei.
Minha diversão maior é a faxina. Acordo cedo, empolgada, pego a vassoura, o espanador e começo: primeiro, os quartos; depois a sala e a varanda; a cozinha e, por último, o banheiro.
Bom mesmo é quando chega o sábado e vou visitar meus pais. São tantas conversas, não sei de onde surgem tantos assuntos. Os abraços, antes desajeitados, só em aniversário ou no natal, agora são semanais!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Carnaval – festival multicultural

Minha paixão pelo carnaval aconteceu ainda pequenina, quando minha mãe, uma foliã com frevo no pé, me levava para as ladeiras de Olinda. Subíamos e descíamos juntas no meio da multidão para o encontro entre os blocos Pitombeira dos Quatro Cantos e Elefante. Não entedia o que significava aquela festa, mas também nem precisava, o mais importante dispensava qualquer explicação, até mesmo para uma menina. Sentia a alegria daquela música que fazia todo mundo pular e cantar com emoção: “
Olinda, quero cantar a ti essa canção....” Eu também queria cantar e mal conseguia repetir bem alto o refrão : “ ... teus coqueirais, o teu sol, o teu mar faz vibrar meu coração, de amor a sonhar em Olinda sem igual, salve o teu carnaval...”
Hoje não imagino o ano sem brincar o carnaval. Às vezes até penso em viajar e descansar numa praia tranqüila, mas ainda bem que mudo sempre de idéia e caio na folia. Por mais cansada que eu esteja, já que não tenho lá mais tanta disposição física para brincar os quatro dias seguidos: as pernas cansam, a coluna reclama e os pés, coitados, esses sofrem com pisadas e apertos, quando o frevo começa ninguém me segura. Ele entra pela cabeça, passa pelo corpo e acaba na ponta do pé.
Não há como ficar indiferente a essa grande festa popular. Acho lindo o que acontece aqui em Pernambuco nesse período. As ruas tomadas por pessoas de todas as idades, cores, etnias e classes, dançando, cantando, se divertindo em um mesmo espaço. Para que cordão de isolamento? Não precisamos, queremos liberdade para dar-nos as mãos e formarmos uma grande roda e dançar ciranda. No lugar de abadás, fantasias irreverentes, improvisadas, ou a velha chita.
Como alguém me disse, o nosso carnaval virou um grande festival. Uma festa democrática que mistura ritmos, em que o frevo abre a porta para o rock e deixa o samba passar, junto com o coco, maracatu, caboclinho e batida eletrônica.

domingo, 20 de janeiro de 2008

A verdadeira Maria dos Desencontros

Quando decidi fazer um blog eu tinha apenas a intenção de ter um espaço nesse imenso mundo da internet em que eu seria uma desconhecida e poderia escrever o que eu desejasse, sem me preocupar com os olhos de algum leitor acidental. Como nunca fui lá muito familiarizada com a internet, sempre usei apenas o básico, e-mails, messenger e google, não tinha a menor idéia de como criar um blog. Depois de uma noite procurando sites e orientações, consegui entender como funcionava e vi que não era nada difícil, precisava apenas seguir as instruções. A parte dificil mesmo foi a escolha do nome. Não iria colocar o meu, lógico! Teria que ser um espaço totalmente anônimo. Pensei em alguns pseudônimos, mas nunca fui lá muito criativa. Aí lembrei de uma crônica maravilhosa que li do Samarone em seu blog: A pequena história de Maria dos Desencontros.(http://estuariope.blogspot.com/2005/10/pequena-histria-de-maria-dos.html ). Adoro os textos de Samarone, são deliciosos de ler, ele consegue trasnmitir as emoções dos pequenos detalhes do cotidiano, e essa crônica em especial havia me tocado muito. Conforme eu a lia, ia me emocionando com as histórias dessa mulher, dessa Maria, que tinha decidido viver apenas o presente pois já cansada dos desencontros que a vida lhe proporcionava, passou a viver como se estivesse com alguma doença terminal. Não preciso nem dizer o quanto me identifiquei, pois terminei por "roubar" a identidade de Maria.
Mas quem não vive desencontros? Talvez uns mais, outros menos. Nem sempre as oportunidades surgem na hora certa, no tempo certo, ou muitas vezes não conseguimos enxergá-las. As famosas e clichês frases sobre "as armadilhas do destino" ou "as surpresas da vida" não devem ter surgido a toa. Nesse momento em que também decido viver o presente, percebo também que o meu presente hoje é o futuro que ansiei há dois anos, quando apaixonada por um estrangeiro, ao nos despedirmos no aeroporto ele disse que voltaria em dois anos.
"Dois anos? Mas isso é muito tempo. Iremos nos esquecer até lá, talvez nem nos encotraremos novamente ou se nos encontrarmos poderemos estar em outro momento de nossas vidas, poderemos estar com outras pessoas." E ele respondeu: " Temos que aguardar, não sabemos."

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

O que há de pior em mim

Me iludo. Mas é por pouco tempo. Na verdade nem consigo me iludir. Desconfio. É desconfiança mesmo, não ilusão. Finjo que acredito que você é alguém bem melhor, você finje tão bem. Até parece que aquela menina desperta e acha que finalmente encontrou seu pai herói. Ah, mas não tenho herói, nunca gostei de superman, sempre preferi o garfield. Mas o garfield não é herói, nem ético, nem corajoso, nem sempre se dá bem, mas tenta. Pai também não. Quantas provisões, algumas insuficientes outras até surpreendentes. Mas tudo sempre atrasado ou compensatório. Bolsa-família surgiu na minha casa. Presente com sabor de liquidação não tem troca, é fim de estoque, roupa fora de moda e bicicleta fora da idade.
Andei sozinha. Aprendi a pedalar sozinha. Não posso esquecer de meu amigo de infância e vizinho Luciano, tão companheiro nessas horas. Segurava o celim da bicicleta e quando eu começava minhas primeiras pedaladas ele soltava as mãos tão discretamente que eu só percebia quando caía de bunda no chão. Lá vinha ele correndo rindo da minha queda, mas sempre elogiando minha desenvoltura no pedal.
Fui apresentada ao egoísmo, à desconfiança e à mesquinharia. Não fui uma boa aluna apesar de ter um excelente professor. Sempre fui muito teimosa, só aprendia o que me interessava.
Festas. Não fui a nenhuma delas. Tinha 15 anos, estava pronta com meu vestido laranja, era horrível mas eu me achava linda. A ansiedade de dançar com qualquer um, seria minha primeira dança. As paredes do meu quarto foram meus primeiros campos de independência. Era lá que o rosto com a maquiagem mal feita borrada pelas lágrimas do seu não que eu comecei a tecer meu plano de mulher independente. Não precisaria ouvir nem sim nem não porque ela poderia fazer o que quisesse. Ela se permitiria.
O abraço desajeitado de dois estranhos que nunca se conhecem vindo da entrega de presentes comprados por terceira, por ela sempre insistente para a fotografia da família feliz. Não espero nada e ao mesmo tempo tudo! Sua alma se fora desse corpo há tanto tempo, não agüento a presença dessa figura ausente de significações. Boneco de pano não seria diferente, talvez mais útil, é tão bonitinho! Melhor ainda uma fotografia. Limpava a poeira uma vez ou outra e ainda poderia virar o porta-retrato para me privar de sua companhia.
-Afaste-se!
-Mais?
-Definitivamente.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Encontros por aí a fora

Conhecer pessoas é para mim uma grande aventura comparada a uma viagem a um lugar surpreendente e que sempre há algo novo a ser descoberto. Adoro conversar e apesar de falar muito, escuto atentamente ao que me revelam. Conversar é trocar idéias, discutir, desconstruir e construir. Cada um tem sua história e sua bagagem, além disso, todos mudam, nossos amigos podem sempre nos surpreender com uma atitude inimaginável, e como todas as relações humanas, há sempre o inesperado.
Qualquer lugar é lugar e não há hora certa para puxar uma conversa fiada. Pode ser uma fila de banco, parada de ônibus, velório, mas o melhor mesmo é uma mesa de bar. A alegria da cerveja gelada e da música boa, melhor ainda se for um bom samba, bar de chão de cimento, cadeira plástica e que você chama o garçom pelo nome: Pereiraaaa!!!! Oh Pereira traz mais uma! Quando você se dá conta já está lá no maior papo ou sobre um jogo de futebol ou sobre a tal filosofia da vida. Sinto falta hoje de um bar, aquele que é praticamente a extensão da sua casa. Ah saudade boa do samba das quartas-feiras no Garrafus!
Nunca fui de fazer restrições nem muita cerimônia para conhecer gente, tanto que fui uma sócia fundadora da AFA (Associação dos Forçadores de Amizade). Não gosto desse exclusivismo de turma, aquele grupo fixo de amigos e que se torna uma verdadeira panela. Tenho amigos intelectuais, dondocas, burgueses, marxistas, conservadores, idealistas, evangélicos, espíritas, farristas, caseiros e por aí vai. Sei aproveitar o que cada diferença me proporciona. Por isso gosto de fazer festas para comemorar meu aniversário, é o único momento que tenho para reunir todos aqueles que fazem parte de minha vida e que são tão importantes para mim. A festa vira uma verdadeira salada, uma mistura de gente diferente.
Lembro que em minha adolescência, se mudou para a minha rua uma vizinha nova. Não tive dúvidas, bati em sua porta e me apresentei. Não podia imaginar que a partir dali iria iniciar a formação de meu gosto musical. Juliana me apresentou a bandas que nunca ouvira falar antes, e era engraçado como ela se surpreendia com a minha ignorância. Não satisfeita com meu desconhecimento, me mostrava cds, vídeo clipes, colocava as músicas mais famosas, me contava a história das bandas e dos cantores. Todas as tardes eu ia a sua casa e ouvíamos aos velhos sucessos para ela, e as novidades do dia para mim. O que conheço de música devo a ela, a sua paciência e persistência.
Há encontros, como esse, que me influenciam e causam, inevitavelmente, reflexões que desencadeiam um processo de mutação, que até eu mesmo me surpreendo. Sou aberta a mudanças, me permito mudar. Há pessoas que encontrei, passaram e nem imaginam a bagunça que causaram. Talvez se um dia nos reencontrarmos nem me reconheceriam, ou pelo menos teriam uma grande surpresa.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Apenas bobagens

Não acredito que estou de férias. Não lembro a última vez que estive completamente de férias. Como sempre estudei na UFPE passei por várias greves, o que deixava o calendário acadêmico uma bagunça! Nunca conseguia conciliar as férias da universidade com as do trabalho. Depois que me formei emendei um trabalho no outro e ainda comecei Letras, ou seja, nada de férias. Agora finalmente estou com quinze dias exclusivos para mim.
Estava em um ritmo muito acelerado, em parte porque sou assim: apressada. Não consigo fazer nada com calma, minha ansiedade não permite. Até essas férias eu já pensei, planejei, fiz lista de tudo o que quero fazer.
Ah lista! Adoro uma lista. Faço lista para tudo.
Já listei tudo que quero fazer nessa quinzena, está tudo planejadinho. Agora estou assim: ansiosa. Anseio cada dia de férias. Acho que vou colocar isso na lista de coisas a melhorar no próximo ano, ansiedade. Vai ser a número 1, top da lista. Mas será que me reconhecerei menos ansiosa? Acho que não. Bom, mas vou tentar.
Até que minha lista de planos para o próximo ano está bem pequena. Deve ser porque ainda não terminei a desse ano, ainda faltam o espanhol, que esqueci completamente, e a danada da monografia da pós. Mas como já aderi a astrologia, meu ano começou no dia do meu aniversário, então ainda tenho 6 meses pela frente.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Acho que não vou celebrar o ano novo agora dia 31 de dezembro, vou aderir a umas teorias astrológicas em que o ano novo se inicia no dia do aniversário. Não sinto que o meu ano está terminando, tenho a sensação de que estou exatamente no meio. Só comecei a pensar nesse ano a partir de maio, um mês antes de seu inicio em meu aniversário, 22 de junho. Fiz algumas reflexões, uns planos aqui, outros sonhos ali, e enfim, ainda estou a caminho para conclusões.

sábado, 10 de novembro de 2007

Desprendida

Quanto tempo se leva para desprender-se? Não sei o tempo certo, nem se existe um tempo determinado. Sei apenas que os meus desprendimentos são longos, dolorosos e transformadores.
Tem uma cena do filme Antes do Pôr do Sol, em que a personagem desabafa, em uma das cenas mais lindas que já vi , que se acha louca porque não consegue esquecer as pessoas com quem se relacionou. Ela não entende como outros terminam um relacionamento e simplesmente esquecem, e aí começam outra relação como se tivessem apenas trocado de marca de cereal.
Se isso realmente for indício de loucura, então sou completamente louca. Não consigo simplesmente esquecer ou substituir alguém como um produto porque pessoas são insubstituíveis em seus específicos detalhes. Não há como recuperar o que se foi, nem o que se perdeu.
Por isso o desprendimento para mim não é nada fácil, é um dos momentos mais dificeis . Desprender-se é libertar-se de um amor, da dor, de mágoas, de um bem, de um vício, de um cheiro, de um sabor, de um riso, de detalhes, de culpas, de cobranças, de lembranças. Mas também é um processo de vasculhar, de descobrir a essência dos sentimentos, sofrimentos e desejos. Amadureço e me renovo a cada ciclo que se fecha. Sinto - me livre ao dirigir pela manhã, ver o mar, sentir o calor do sol, ligar o rádio, cantar e rir. Sinto a leveza da paz egoísta de pensar apenas em mim.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Namoro morno

Uma amiga se queixava sobre a falta de paixão em seu namoro. Segundo ela, o namoro que começou a pouco meses está morno porque seu namorado não demonstra o quanto gosta dela e isso a impede de se entregar pois não sente-se segura quanto ao relacionamento. Mas ela acredita que o com o tempo o relacionamento esquente.
Estranhei ela dizer isso pois sou muito amiga do casal e convivo sempre com os dois e até mesmo um estranho que passe uns 30 minutos perto dos dois pode perceber o amor que ele sente por ela. Todos notam a maneira como ele a olha, a elogia, preocupa-se com seu bem estar, sempre faz um carinho, ri quando ela faz algo engraçado, a apóia e a admira. Todos podem perceber o quanto aquele homem está apaixonado, menos ela.
Ela me mostrou um cartão que ele a entregou. Quando li, perguntei o que mais ela queria para ter certeza dos sentimentos dele. Ele os escreveu e entregou para você, estão aí nessas palavras e você não consegue sentir? Não tive dúvidas, disse logo: você não está apaixonada.
Ele pode fazer as maiores loucuras de amor, as declarações mais vexatórias e bregas e ainda assim você não vai sentir. Não sentirá a paixão nos olhos dele, o coração bater forte nem o frio no estômago.
Quando estamos apaixonados tudo nos comove e reconhecemos provas de amor em qualquer situação. Procuramos sinais no outro que confirmem o nosso sentimento, e quando não encontramos chegamos até a criá-los. Daí a frase: o amor é cego. Muitas vezes, no alto nível da paixão, enxergamos apenas aquilo que mantem o nosso sentimento vivo e para isso chegamos até a distorcer fatos e inventar mentiras para nós mesmos.
Se passamos a racionalizar demais o que sentimos na tentativa de distinguir se é ou não paixão é porque a paixão, em nós, não existe. Ninguém duvida da sua presença, há os que não querem aceitá-la, mas não adianta, a paixão é teimosa, não depende de nossa vontade, é involuntária. Ou sente-se ou não.
A paixão antecede ao relacionamento, ela não vem com o tempo, ela é o motor da relação, é o que impulsiona. Namoro tem que começar quente, ferver, depois pode até ficar morno e esfriar até gelar, mas jamais, nunca, começar morno.
Desconfio desses namoros que começam assim, mornos e sem paixão. Para mim, há apenas duas alternativas para esse tipo de relação: ou acaba-se logo ou se prolonga na inércia por mais um tempo até que ... se acabe.
A paixão não garante tempo de duração a relação alguma, mas garante essência. Relacionamento sem paixão é vazio, não tem cor, não tem emoção.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Cada um sem o seu rolex...

A vioência urbana é notícia todos os dias no nosso país, os números dos assaltos e assassinatos estão ao acesso de todos em vários sites, jornais, programas de TV. Mas quando um famoso é vítima da violência é como se tivesse acontecido a coisa mais absurda e chocante. Como um bandido se atreve a assaltar um famoso? O fato mais recente foi o roubo do rolex de Luciano Huck e a sua carta de protesto a Folha de São Paulo. Prato cheio para a nossa mídia. Uns enaltecem o desabafo do Luciano Huck e apoiam a sua indignação ao pagar todos seus impostos altíssimos e ter que viver em um país sem segurança pública, outros criticaram e ridicualrizaram o apresentador e toda a classe social a que ele representa.
O valor do rolex roubado parece que é uns 45.000 reais. Uauuuuuuuuu Deixa ver o que poderia comprar com esse valor.... Uns 2 carros populares, dava também para comprar uma casa, para alimentar uma família por mais de 1 ano. Dava para muita coisa, mas para o Luciano era apenas um relógio. Ok, não vou entrar aqui no papo preconceituoso de coisa de elite branca e tal. Não é esse o propósito quando decidi escrever esse post. Mas é que fiquei pensando que cada um perde o seu rolex. Eu já fui assaltada 5 vezes. Isso mesmo, foram 5 assaltos e mais uma tentativa, no total 6 vezes em contato com a violência. O saldo perdido: três celulares + uns trocados + 3 bolsas + alguns objetos = R$ 1000,00. Eu acho que esse foi o valor que tive roubado. Uma merreca comparado ao relógio do Luciano, mas como disse cada um perde o "rolex" que tem. Agora vamos aos cálculos do que os jovens que nos assaltaram (eita, tenho algo em comum com Luciano Huck. Poxa!!!) a mim e ao Luciano já perderam, sim porque eles também já foram e ainda são roubados: educação + saúde + alimentação + moradia + brinquedos na infância + emprego + presença dos pais + auto-estima = a possibilidade de uma vida fora da violência. É cada um tem o seu "rolex" roubado. Claro que a desigualdade e a miséria em que esses jovens estão inseridos não justificam a opção deles pela criminalidade, mas compreende-se.

Blindness - Ensaio Sobre a Cegueira

Acabei de descobrir que Ensaio Sobre a Cegueira, de Saramago, virou filme. Assim que li a notícia pensei logo: mais uma porcaria vem por aí. Um tom implicante meu, confesso. Mas tenho bom motivo. As adaptações para o cinema de livros que já li e adorei foram umas porcarias e me fizeram sair um tantinho decepcionada do cinema. A magia que há ao ler é justamente a idéia surgida daquelas palavras ali. Cada frase, cada parágrafo, é um mundo que construimos cheio de fantasias, ilusões, reflexões, sensações. Dificilmente a construção de qualquer diretor será igual a minha. Daí a frustração ao deixar a sala de cinema. Detestei ver o dramalhão feito em Olga, parecia mais que estava assistindo a uma novela das 8 da Globo. Procurei a fortaleza e a frieza da militante comunista e não encontrei. Esse é só um exemplo.
Porém tive que estender minha mão a palmatória. Entrei no blog do diretor do filme, Fernado Meirelles, e simplesmente uma ansiedade e uma curiosidade em assistir ao filme tomaram conta de mim. Primeiro porque Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel (não cheguei a ler o livro) estão na minha lista de filmes favoritos, gosto muito da linguagem que o Meirelles dá aos seus filmes. Em segundo porque vi a preocupação e o cuidado dele em passar para as telas as infinitas reflexões que o livro nos proporciona. As filmagens começaram em julho, acho que o filme deve sair só no próximo ano. Quem já leu o livro, entra no blog http://blogdeblindness.blogspot.com/ para saber de mais detalhes sobre o filme. Quem ainda não leu, por favor se apresse.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Jornada de Trabalho


Depois de ter passado 10 dias em Serra Talhada, Pernambuco, cheguei a Quixeramobim, Ceará. O meu trabalho, em parceria com outra assistente social, é o de mobilização e organização de comunidades para o uso de barragens subterrâneas.
A jornada é cansativa: o sol forte, o vento quente, a péssima estrada cheia de buracos que destrói minha coluna, a repetição do cardápio: galinha caipira, feijão de corda e farofa de cuscuz. No inicio é bem apetitoso, mas depois de três dias não agüento ouvir nem um co-co-ri-có se quer, mas o pior é ter que ver galinha por todos os cantos e pensar: “amanhã você será meu almoço”. Apesar desses incômodos, o trabalho é maravilhoso. Conversar com essas pessoas, ouvir suas histórias, ver o sorriso de alegria ao nos ver bater a porta, ser recebida com o famoso “entre pra dentro, se achegue e sente!”, perceber a diferença na vida da comunidade após a água da tal “loninha”, como eles chamam a barragem. Levar informação e ver o brilho nos olhos de quem acaba de descobrir o novo.
O pôr do sol indica mais um fim de trabalho. Durante o caminho de volta, olho para aquelas casas pequenas, perdidas no meio do sertão. Uma vez, Seu Afonso, morador de São José de Caiçarinha, em Serra Talhada, me disse que só precisa de saúde porque de resto já tem tudo. A principio minha arrogância julgou: que falta de perspectiva, de oportunidade, isso é querer tão pouco. Mas hoje, que tolice pensei! Que prepotência julgar esse homem. Naquele momento, Seu Afonso tinha tudo porque se sentia satisfeito com a sua vida. Procura-se tanto a tal felicidade, quem pode dizer que aquele homem não é feliz? Quem pode dizer como ele que só precisa de saúde porque de resto já tem tudo? Tudo. Tudo? Que tudo é esse que se almeja?
Seu Afonso é casado com Dona Zélia, eles têm 10 filhos e moram em uma casa de dois cômodos, cozinham em fogão a lenha, possuem apenas três bancos para sentarem, e precisam carregar baldes de água todos os dias, pois não há água encanada em casa. Vivem da aposentadoria da mãe de Dona Zélia e do Bolsa Família. Seu Afonso tem tudo na vida.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Dormir e Sonhar


Hoje a alegria entrou sem bater a porta e sem pedir licença. Invadiu minha alma, aumentou ainda mais meu sorriso (se possível), expulsou a angústia e deixou a tranquilidade. Permito-me dormir e sonhar pois nenhum tombo irá me despertar, apenas o sol a invadir meu quarto e anunciar o novo dia. É o dia, é a hora, é a minha vez de trazer meus anseios para o real.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Ela e Ele

Ela amou.
Amou muito e sofreu a não correspondência desse amor.
Tentou.
Tentou uma, duas, três vezes.
Seu destino era a solidão de um amor sem volta.
Ele desconhecia o amor.
Não sabia o que era amar, muito menos o que era ser amado.
Seguia seu caminho solitário.
Desistiram do amor, e essa desistência os uniu.
Se olharam.
Ela acreditou. Ele resistiu.
Ela se jogou. Ele confiou e a seguiu.
Se amaram.
Caminharam juntos por ruas diferentes.
Acreditaram no impossível e na certeza que surgia como uma poesia.
Poesia que era música, Beatriz.
Atravessaram fronteiras em busca do lar.
Movidos pela unica razão que tinham: nascemos para nos amar.


Para Dani, Bebeto e Beatriz.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Before sunset

:::::::::Celine said:
...And, how can you say that?
Because... I mean, I always feel like a freak because I'm never able to move on like......this!
You know.People just have an affaire, or even... entire relationships... They break up and they forget!
They move on like they would have changed a brand of Cereals!
I feel I was never able to forget anyone I've been with, because each person have... you know, specific qualities!
You can never replace anyone. What is lost is lost.
Each relationship, when it ends, really damages me. I haven't fully recovered. That's why I'm very careful with getting involved, because... It hurts too much!
Even getting laid! I actually don't do that...I will miss of the person the most mundane things. Like I'm obsessed with little things.
Maybe I'm crazy, but...When I was a little girl, my mom told me that I was always late to school. One day she followed me to see why... I was looking at chestnuts falling from the trees, rolling on the sidewalk, or... ants, crossing the road... the way a leaf casts a shadow on a tree trunk... Little things.
I think it's the same with people.
I see in them little details, so specific to each other, that move me, and that I miss, and... will always miss.
You can never replace anyone, because everyone is made of such beautiful specific details. Like I remember the way... your beard has a little bit of red in it. And how the sun was making it glow that... that morning, right before you left.I remember that, and... I missed it!
I'm really crazy, right?